Projeto concebido originalmente para a área de Ideias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, Mitos do Teatro Brasileiro é calcado na memória das artes cênicas nacionais.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mitos do Teatro Brasileiro - Dulcina de Moraes

Luciana Martuchelli vive fã que copiou o figurino de Chuva, de Dulcina de Moraes, na apresentação do CCBB Brasília, em maio de 2010

J. Abreu ao lado do bastão de Molière, que pertence ao acervo da Fundação Brasileira de Teatro

J. Abreu e Nicette Bruno em momento de camarim



Sérgio Maggio entre Francoise Forton e Nicette Bruno: Viva Dulcina!


J. Abreu e Luciana Martucheli em cena que exalta a força de Dulcina de Moraes no teatro brasileiro

Mitos do Teatro Brasileiro - Dercy Gonçalves

Adriana Nunes vive a falsa vedete Cassandra Plicts em homenagem realizada no CCBB Brasília em junho de 2010

As vedetes Carmem Verônica e Íris Bruzzi falam sobre o fenômeno Dercy Gonçalves

Adriana Nunes surge na plateia como uma aspirante ao teatro de revista

Cassandra Plicts cai no tango com Eugênio Paschoal, partner de Dercy

Ao final, a escola de samba Acadêmicos da Asa Norte canta o samba enredo de Dercy Gonçalves

Mitos do Teatro Brasileiro - Procópio Ferreira

J.Abreu encarna dona Lucília Peres em frente ao mendigo de Deus lhe Pague, na homenagem a Procópio Ferreira, no CCBB Brasília, em julho de 2010


Bemvindo Siqueira, que viveu o mendigo em remontagem histórica de Deus lhe pague, é aplaudido de pé por todos


Gê Martú vive Cyrano de Bagerauch, enquanto J. Abreu dá vida ao garçom do bar Beija-Flor. Luciana Martuchelli é a musa dos dois

Bemvindo Sequeira e Lauro César Muniz falam da experiência ao lado de Procópio


J. Abreu e Gê Martu encarnam os mendigos de Deus lhe pague, de Joracy Camargo









Mitos do Teatro Brasileiro - Nelson Rodrigues


J. Abreu (na época, Jones Schneider) na pele de Nelson Rodrigues, no projeto Mitos do Teatro Brasileiro (CCBB Brasília em agosto de 2010)

Dina Brandão se veste de Susana Flag, alter ego em crise com seu criador

Beth Goulart fala de sua experiência com Doroteia e lembra da avó, a grande atriz Eleonor Bruno


Camila Amado vasculha histórias da época em que fez Alaíde em montagem comemorativa de Vestido de Noiva, com direção de Ziembinsky

J. Abreu é o cenógrafo Santa Rosa. Dina Brandão, Madame Clessy, no encontro alucinante que abriu o projeto

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Salve, Sergio Britto. Ave, Suely Franco!

Foto/Divulgação

Duelo de feras

Sérgio Maggio

Vai ser difícil esquecer o som da melodia das palmas alongadas da plateia que foi a pre-estreia de Recordar é viver, no Teatro Sesc Anchieta. Quando espetáculo acabou, Sergio Britto e Suely Franco receberam o carinho de um público extremamente agradecido e admirado com o trabalho desses dois grandes nomes do teatro nacional.

Recuperado de uma internação hospitalar em meados de 2010, Sergio Britto aparece pulsante, em cena, num personagem que dialoga com a fragilidade da velhice, quase que numa metáfora a sua força de homem de teatro que vence barreiras físicas para estar firme no palco, como fez, em 2009, com a excepcional peças curtas de Samuel Beckett.

Em seu ritmo, Sergio acompanha o furacão Suely Franco que cresce a cada cena como uma mãe atormentada com o destino selado de sua família. Em algumas sequências, o humor cortante do personagem Alberto arranca palmas em cena aberta, num trabalho que o deixa extremamente à vontade no palco.


Sergio Britto é um ator de composição de personagens. E Alberto ganha contornos sutis nas mãos de um dos maiores atores brasileiros de sua geração.

- Tem tempo, diz Alberto para marcar o quase-bordão do personagem, que atravessa a montagem marcado pela complacência do pai com um filho em desacerto.

A voz hesitante, o andar cambaliante, as mãos nervosas, as palavras que se atropelam criam um Alberto muito próximo de uma humanidade solicitada pela encenação realista de Eduardo Tolentino. O contraste com a Ana, de Suely Franco, dá ebulição ao espetáculo. A atriz cresce cena a cena e carrega a narrativa num desempenho, por vezes, de tirar o fôlego. O diretor prioriza a mecânica do texto do jornalista Hélio Sussekind, no qual as personagens secundárias servem mais como combustão aos protagonistas. O encontro de Suely e Sérgio sufoca, em parte, os coadjuvantes, dando a sensação de serem fragéis demais diante desse duelo de feras.

Recordar é viver, que faz um painel sobre o desencanto de um núcleo familiar de classe média, é uma boa estreia de Hélio Sussekind, apesar de um excesso de clichês, sobretudo, nos diálogos.

Sergio Britto e Suely Franco têm pontos comuns na carreira. Um deles é a estreia de Beijo no Asfalto (1961), de Nelson Rodrigues, peça escrita especialmente para Fernanda Montenegro e encenada pelo Teatro dos Sete, com Ítalo Rossi também no elenco. A temporada é histórica, com direito a interrupções de espectadores irados com o atentado à moral e aos bons costumes.


Em tempo: Sergio Britto era um dos homenageados do projetoMitos do Teatro Brasileiro, Ano I, no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília. Mas infelizmente não pôde vir para ser celebrado por conta de recomendação médica, que o impediu de pegar voos.
- Agora, querido, só fico entre Rio e São Paulo, contou ao fim da sessão do Sesc Anchieta.

- Desculpe, não dá lhe muita atenção. Você viu o que aconteceu ao final? Quantas palmas? Estou muito emocionado. Nem ia falar nada, mas resolvi voltar e agradecer a esse público contagiante, obrigado!, contou Sergio Britto.


RECORDAR É VIVER

SESC Consolação
28/01 a 27/02.
Sextas e sábados, às 21h e domingos às 19h
Drama familiar que se passa no início dos anos 90 num bairro de classe média do Rio de Janeiro. De Hélio Sussekind. Direção de Eduardo Tolentino de Araújo. Com Suely Franco, Sergio Britto, José Roberto Jardim, Camilo Bevilacqua, Ana Jansen e Anna Cecília Junqueira.


Não recomendado para menores de 14 anos
R$ 32,00[inteira]
R$ 16,00[usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 8,00[trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

sábado, 23 de outubro de 2010

Chico repercute em blogs

Chico Anysio é um gênio da nossa cultura

Chico Anysio é uma instituição da cultura brasileira. Um dos grandes humoristas do país, esse cearense de 79 anos se mostrou de grande versatilidade ao não restringir seu talento apenas ao humor, mas também à literatura (ele é autor de mais de 30 livros), cinema, teatro, música, pintura e, claro, rádio e televisão, onde construiu e dimensionou sua carreira numa esfera quase universal. Embora tenha começado no rádio, quando deixou de jogar bola para acompanhar a irmã num teste para emissora de sua cidade, foi nas telinhas de todo o país que popularizou seu gênio.

Sobre essa popularidade ele até conta uma anedota com fortes ares de verdade. Certa vez, num bate-papo descontraído pelos corredores da emissora Rede Globo, com seu criador, o magnata Roberto Marinho, o humorista comenta, encostado numa das pilastras da casa. “Dr. Roberto Marinho, toda vez que vejo essas colunas me sinto como uma delas”, diz. “Mas o que é isso seu Chico Anysio, o senhor é dono de toda essa emissora, o senhor ajudou a construir essa televisão, essa casa é sua”, responde eufórico o nosso Hearst. Hoje, olhando pelo retrovisor do tempo, Chico Anysio comenta. “É, ele só esqueceu de avisar aos filhos sobre isso”, comenta o artista, referindo-se ao fato de estar na geladeira da casa que o consagrou. Da casa que ajudou a erguer uma daquelas pilastras.

Mas o que importa é que seu talento, seus personagens, tipos e piadas estarão cravados em nossos corações indelevelmente. Não canso de dizer isso, assim como não canso de dizer que ele sempre foi nosso maior gênio do humor, inclusive, um dos precursores do stand up no país. Detalhe que os Gentilis da vida, cegos de vaidade, sempre esquecem.

No começo eu até que gostava de Jô Soares, que tem alguns tipos cativantes. Mas nunca deixei minha certeza abalar diante do enorme talento do seu Chico. Perdi a conta de quantas vezes assisti aos seus programas. Chico City, Chico Anysio Show, Chico Total, enfim, qualquer que fosse o nome, a “roupa” que ele vestisse, lá estava eu. Seus personagens marcaram minha infância, minha adolescência e até hoje perambulam em algum lugar do meu inconsciente. Coalhada, Bozó, Bento Carneiro, Jovem, Haroldo, o gay mais (hetero do planeta), Canabrava, Pantaleão, Painho, o inimitável Alberto Roberto, Al Cafone, Coronel Limoeiro, o vascaíno Fumaça, Justo Veríssimo, (aquele que não era feio, mas exótico), Neyde Taubaté, Popó, ufa, são tantos. A galeria do mestre comporta 209 personagens, cada um com RG própria, com personalidade diferente.

Na última quarta-feira o grande mestre foi homenageado no CCBB de Brasília. Um encontro inesquecível que emocionou as pessoas que passaram por lá mesmo com chuva desabando. Eu fui uma delas. Dei gargalhadas com as piadas disparadas à tira colo, com a inteligência e senso de humor de Chico, com a sensibilidade em entender o público e o laçar com pequenos gestos, com a melancolia que escorregava de suas falas entre uma anedota e outra. Olhando para ele ali, em cima do palco, tive a constatação de que algumas coisas são únicas. Só existe uma Ana Maria Campos, só existe uma Ingrid Bergman, só existe um Pelé, só existe um Paul McCartney e só existe um Chico Anysio. Nem daqui há duzentos anos existirá outro igual.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Chico Total



Não teve chuva, congestionamento, greve e metrô ou hora do rush que tirasse do sério o brasiliense que compareceu na noite de quarta-feira ao Centro Cultural Banco do Brasil. Isso porque o grande nome do humor nacional, Chico Anysio, estava ali para ser homenageado e fazer rir. A reverência ao mestre foi o último encontro este ano do projeto Mitos do teatro brasileiro.


“Quando fui convidado para vir aqui, fiquei pensando. Entrei num grande time que tem Dulcina de Moares, Dercy Gonçalves, Procópio Ferreira, Nelson Rodrigues e Cacilda Becker e estão todos mortos. Será que para eu também ser homenageado, terei que me suicidar? Sou o único deles ainda vivo. E mais vivo do que nunca”, brincou.

A trajetória pessoal e profissional do artista nascido em Maranguape (CE) foi lembrada pelo próprio Chico e também por meio das cenas criadas pelo dramaturgo e jornalista Sérgio Maggio. Encontros inusitados entre personagens de Chico Anysio, interpretados pelo ator e curador do projeto, Jones Schneider, e as atrizes que foram lembradas pelo Mitos, vividas por Elisete Teixeira, encantaram a plateia.

Enquanto o aposentado Pantaleão, sentado em sua famosa cadeira de balanço se divertia com a espevitada Dercy Gonçalves, o “símbalo sexual” Alberto Roberto não se contentava em disputar a atenção com Cacilda Becker. Já o “heterossexual” Haroldo lia a sorte da diva Dulcina de Moraes. E tudo observado atentamente pelo próprio Chico Anysio, que estava sentado no centro do palco do CCBB, e, vira e mexe, dava seus palpites. “Eu quero este texto. Vou usá-lo”, disse, referindo-se aos esquetes criados por Maggio. “Está bom”, comentou sobre o figurino do ator Jones Schneider. E o auditório do Centro Cultural lotado sempre ia abaixo entre palmas e gargalhadas.

Chico interagiu o tempo todo com a plateia. A sua capacidade de improviso impressionava. “O que vocês querem saber de mim?”, perguntou à plateia. “Qual é o meu time? Sou Brasiliense, adoro a Boca do Jacaré”. Lembrou histórias da carreira, de sua vida pessoal, como o pai que teve 17 filhos. “Não sei quem ele puxou”, comentou rindo.

Criticou os tempos da censura no país, que chamou de “nojenta”, alfinetou políticos, “como é o nome desse que está aí no governo mesmo?”, indagou referindo-se ao presidente Lula, e ainda revelou como era o processo de criação de seus personagens. “Eu pensava em todos os detalhes. Onde morava, que ocupação ele tinha, pra que time torcia, se era gay, homem, mulher. Era um trabalho amplo de composição”, contou. Mas o preferido do universo de 209 criaturas foi o primeiro deles, o professor Raimundo. “Ele é o mais respeitado pelos outros 208 personagens que criei. Por intermédio dele, eu fiz meu primeiro sucesso no rádio e ele ainda servia de escada para futuros grandes nomes do humor, como Walter D’Ávila, Brandão Filho, Costinha, Antônio Carlos”, destacou.

Além da encenação de Jones e Elisete, e depoimentos do próprio Chico, foram exibidos trechos de documentários sobre o homenageado e de programas antigos, comprovando como o humor do artista carimbado de gênio é atemporal. Ao fim do espetáculo, agradeceu emocionado a homenagem e brindou o público com um esquete ao lado do filho e empresário André Lucas. “Certa vez, eu disse ao Romário que ele estava enganado. Quando eu nasci, Deus disse foi pra mim: esse é o cara.” Ninguém duvida, Chico