Projeto concebido originalmente para a área de Ideias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, Mitos do Teatro Brasileiro é calcado na memória das artes cênicas nacionais.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Brincadeiras de Maria Clara

Contam que Maria Clara Machado costumava brincar dizendo: quando eu morrer quero ser empalhada e colocada ali na sala para todos verem.

A menina Cacá Mourthé

Quando Cacá tinha cinco anos foi montada a peça A Noviça Rebelde e a convidaram para fazer a caçula da família Von Trapp, a Gretchen. Cacá ficava sozinha em cena e quando a Noviça ia embora tinha que dizer: ‘Ai meu Deus! Não sei por que me sinto tão só’. Muita emocionada por estar no palco, com todas as luzes nela, ficou paralisada enquanto sopravam o texto da coxia, até que Cacá disse: ‘Não sei por que eu me sinto tão mal!’. A platéia foi abaixo e começou a aplaudir.

Vanguarda no Tablado

Na década de 1970, de grande efervescência estudantil e repressão política, o Tablado era criticado por não fazer um teatro engajado. No entanto foi nessa época que surgiu no Tablado um grupo de atores que apresentaram vários textos de vanguarda como, por exemplo, de Hamilton Vaz Pereira intitulado Nobody Presta, totalmente inovador.

Palhaços do Tablado

A pedido de umas das diretoras do Patronato da Gávea para animar um aniversário de crianças foi montado um grupo de palhaços que se intitulou Os Irmãos Flagelo. Participavam desse grupo: Sura Berditchevsky, José Lavigne, Louise Cardoso, Milton Dobbin e Cacá Mourthé. Tanto sucesso fizeram os palhaços que foram contratados pela Secretaria de Parques e Jardins para se apresentarem em praças publicas na zona sul e subúrbios do Rio de Janeiro. Os Irmãos Flagelo saiam do Tablado maquiados e fantasiados e no ônibus já iam fazendo palhaçadas. Maria Clara gostou tanto da atuação deles que escreveu a peça Quem Matou o Leão? para o grupo.

Meninos do Tablado

Poucos sabem que Damião é o apelido de Carlos Wilson Silveira, professor de história da FUNABEM que se aproximou do Tablado para obter algunas dicas que pudesse usar com seus alunos numa peça de teatro que ia montar. Do primeiro encontro com Maria Clara em 1970 já foi “pinçado” por ela para interpretar um dos guardas da dupla Cosme e Damião na peça Maroquinhas Fru-Fru. Desde então ninguém o chamava pelo seu nome próprio, era só Damião.

Flávio São Thiago foi outro que deixou seu nome de lado para ser o João Jaca da peça A Gata Borralheira de 1962, como ficou conhecido para sempre.


Na versão de 1966 de O Cavalinho Azul, Zé Rodrix fazia a cabeça do cavalo e Paulinho Iório a bunda. Assim, passaram a ser chamados de Zé Cabeça e Paulinho Bunda.

Duplo personagem

Entre as peças de Maria Clara Machado há um personagem que se repete – Camaleão Alface. Aparece primeiro em 1958 no O Rapto das Cebolinhas, na A Volta do Camaleão Alface em 1965 e, em 1969, na peça Camaleão na Lua. Ainda apareceu no Camaleão e as Batatas Mágicas, para um público bem infantil, que nunca foi montado no Tablado.

Maria Clara Machado, censurada

Na década de 70, apesar de ser criticado como um teatro de elite, careta e conservador, o Tablado montou muitos espetáculos de vanguarda.

A peça Dependências de Empregada, por exemplo, foi censurada no dia da estréia e as apresentações suspensas por tempo indeterminado. Maria Clara Machado ficou indignada e foi pessoalmente ao Departamento de Censura exigindo a liberação da peça, o que conseguiu depois de muito parlamentar com os responsáveis pela censura.

Em 1975 a peça O Dragão também foi ameaçada de ser suspensa e Clara declarou na ocasião que se isso acontecesse ela fecharia o Tablado e daria uma entrevista na imprensa denunciando aquela violência. Finalmente a peça foi liberada, mas com muitos cortes.