Contam que Maria Clara Machado costumava brincar dizendo: quando eu morrer quero ser empalhada e colocada ali na sala para todos verem.
Projeto concebido originalmente para a área de Ideias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, Mitos do Teatro Brasileiro é calcado na memória das artes cênicas nacionais.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
A menina Cacá Mourthé
Vanguarda no Tablado
Palhaços do Tablado
Meninos do Tablado
Poucos sabem que Damião é o apelido de Carlos Wilson Silveira, professor de história da FUNABEM que se aproximou do Tablado para obter algunas dicas que pudesse usar com seus alunos numa peça de teatro que ia montar. Do primeiro encontro com Maria Clara em 1970 já foi “pinçado” por ela para interpretar um dos guardas da dupla Cosme e Damião na peça Maroquinhas Fru-Fru. Desde então ninguém o chamava pelo seu nome próprio, era só Damião.
Flávio São Thiago foi outro que deixou seu nome de lado para ser o João Jaca da peça A Gata Borralheira de 1962, como ficou conhecido para sempre.
Na versão de 1966 de O Cavalinho Azul, Zé Rodrix fazia a cabeça do cavalo e Paulinho Iório a bunda. Assim, passaram a ser chamados de Zé Cabeça e Paulinho Bunda.
Duplo personagem
Maria Clara Machado, censurada
Na década de 70, apesar de ser criticado como um teatro de elite, careta e conservador, o Tablado montou muitos espetáculos de vanguarda.
A peça Dependências de Empregada, por exemplo, foi censurada no dia da estréia e as apresentações suspensas por tempo indeterminado. Maria Clara Machado ficou indignada e foi pessoalmente ao Departamento de Censura exigindo a liberação da peça, o que conseguiu depois de muito parlamentar com os responsáveis pela censura.
Em 1975 a peça O Dragão também foi ameaçada de ser suspensa e Clara declarou na ocasião que se isso acontecesse ela fecharia o Tablado e daria uma entrevista na imprensa denunciando aquela violência. Finalmente a peça foi liberada, mas com muitos cortes.