Tudo começou quando ele, com 13 anos, jogava futebol na parcinha em frente ao Tablado. E quando o público era pequeno Maria Clara ia lá e chamava os garotos para assistirem a peça. Aos poucos Jorginho começou a ajudar na bilheteria e a fazer pequenos serviços. O futebol na pracinha começou a ser substituído pelos cursos do Tablado que ele começou a frequentar. Nessa época, década de 1950, quem fazia a luz era o diretor ou o cenógrafo. Aos poucos Jorginho começou a regular refletores junto com o eletricista Carlos Augusto Nem, que fabricava refletores de latinhas. De eletricista Jorginho passou a ser o pioneiro na moderna iluminação para teatro chegando a ganhar dois prêmios Mambembe e um Molière.
Projeto concebido originalmente para a área de Ideias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, Mitos do Teatro Brasileiro é calcado na memória das artes cênicas nacionais.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
A mendiga do Tablado
Maria Clara Machado sempre gostou de fazer suas artes. Em 1958 ensaiavam-se duas peças – O Jubileu e O Matrimonio. Antes do ensaio Clara às escondidas colocou uma peruca muito estranha, se fantasiou de mendiga e com um pedaço de pau começou a bater na porta do teatro querendo entrar.
Nessa época havia muitos mendigos que ficavam próximos ao teatro. Quanto mais ela batia na porta mais apavorados ficavam os atores que se preparavam para o ensaio. Kalma Murtinho que chegou de carro ficou com medo de sair ao ver aquela louca furiosa. Demorou para alguém descobrir que a mendiga era a Clara. E tudo acabou em muita risada.
Maria Clara Machado, mímica
Morte e Vida Severina no Tablado
Quando o Tablado comemorou seus cinco anos de existência, em 1956, João Cabral de Mello Neto, muito amigo do escritor Aníbal Machado, pai de Maria Clara, entregou à mesma um texto inédito para ser montado pelo Tablado. Aníbal, no entanto, como eterno conselheiro do Tablado, ponderou com Clara que aquele texto exigia uma montagem muito difícil para o grupo com apenas 5 anos e poucos recursos.
Tratava-se do texto “Morte e vida Severina” que acabou só sendo montado dez anos depois pelos estudantes da Universidade Católica de São Paulo, com música de Chico Buarque de Holanda e grande sucesso de bilheteria.
A estreia de Yan Michalski no Tablado
Na primeira montagem do O Cavalinho Azul, em 1960, durante um dos ensaios Maria Clara percebeu alguém lá no fundo da platéia, quietinho. Precisando de um ator para completar o trio dos bandidos na peça, ela imediatamente chamou – Hei, você aí. Vem para o palco e completa o conjunto dos bandidos. “Você aí” era o Yan Michalski que ganhava, assim, seu primeiro papel falado, pois, antes, tinha sido malabarista (O Baile dos Ladrões) e Pingüim (O Embarque de Noé), papeis em que entrava mudo e saia calado. Mais tarde Yan se tornou um dos mais respeitados críticos de teatro e excelente professor.
As mães de Pluft
O velório de Michalski
Quando morreu Yan Michalski, Maria Clara Machado não quis que seu corpo fosse velado no palco do Tablado, por que segundo ela dizia: “Palco foi feito para a gente representar, capela para morto descansar’.
E foi na capela do Patronato Operário da Gávea que Clara teve sua grande despedida, com fundo musical de trechos de várias peças.