Na primeira montagem do O Cavalinho Azul, em 1960, durante um dos ensaios Maria Clara percebeu alguém lá no fundo da platéia, quietinho. Precisando de um ator para completar o trio dos bandidos na peça, ela imediatamente chamou – Hei, você aí. Vem para o palco e completa o conjunto dos bandidos. “Você aí” era o Yan Michalski que ganhava, assim, seu primeiro papel falado, pois, antes, tinha sido malabarista (O Baile dos Ladrões) e Pingüim (O Embarque de Noé), papeis em que entrava mudo e saia calado. Mais tarde Yan se tornou um dos mais respeitados críticos de teatro e excelente professor.
Projeto concebido originalmente para a área de Ideias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, Mitos do Teatro Brasileiro é calcado na memória das artes cênicas nacionais.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
As mães de Pluft
O velório de Michalski
Quando morreu Yan Michalski, Maria Clara Machado não quis que seu corpo fosse velado no palco do Tablado, por que segundo ela dizia: “Palco foi feito para a gente representar, capela para morto descansar’.
E foi na capela do Patronato Operário da Gávea que Clara teve sua grande despedida, com fundo musical de trechos de várias peças.
Pluft, o fantasma do cinema
Um anel por refletores do Tablado
O choro de Grande Othelo
Conta a escritora Rachel Jardim, em seu livro “Os Anos Quarenta” que durante uma apresentação da peça Nossa Cidade, 1954, um dos grandes sucessos dos primeiros anos do Tablado, o ator Grande Otelo se emocionou tanto que não conseguiu controlar o choro, caindo em prantos
para espanto da platéia que sempre o identificava como um ator cômico.
Políticos prestigiam O Tablado
Tanto sucesso fez a montagem desta peça no Tablado, em 1955, que numa de suas últimas apresentações encontravam-se na platéia nada menos que o então presidente da República, Café Filho, além de dois Ministros – Raul Fernandes, das Relações Exteriores, e Eugenio Gudin, então Ministro da Fazenda. Neste dia, o ator Nelson Dantas que fazia o papel de Lord Edgard ficou doente e foi substituído pelo diretor da peça, Geraldo Queiroz que, diante de tão seleta platéia chegou a se atrapalhar, errando marcações, sem, no entanto, prejudicar o espetáculo que acabou com a platéia aplaudindo de pé.