Projeto concebido originalmente para a área de Ideias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, Mitos do Teatro Brasileiro é calcado na memória das artes cênicas nacionais.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pluft, o fantasma do cinema


Durante as filmagens dirigidas por Romain Lessage na produção do filme Pluft, o Fantasminha, as cenas passadas na taberna onde se reuniam os marinheiros tiveram a participação de um grupo “da pesada”, atuando como figurantes: Tom Jobim, Vinicius de Morais, Paulo Mendes Campos, Dorival Caymmi, Lucio Rangel, Rubem Braga e Sergio Porto, o famoso Stanislau Ponte Preta.

Um anel por refletores do Tablado

Contam os mais chegados à Maria Clara Machado que, certa vez, um namorado dela manifestou a vontade de lhe dar um anel. Ela, sem pensar duas vezes, agradeceu muito a intenção do rapaz mas pediu que trocasse o anel por dois refletores para o Tablado.

O choro de Grande Othelo

Conta a escritora Rachel Jardim, em seu livro “Os Anos Quarenta” que durante uma apresentação da peça Nossa Cidade, 1954, um dos grandes sucessos dos primeiros anos do Tablado, o ator Grande Otelo se emocionou tanto que não conseguiu controlar o choro, caindo em prantos

para espanto da platéia que sempre o identificava como um ator cômico.

Políticos prestigiam O Tablado

O BAILE DOS LADRÕES

Tanto sucesso fez a montagem desta peça no Tablado, em 1955, que numa de suas últimas apresentações encontravam-se na platéia nada menos que o então presidente da República, Café Filho, além de dois Ministros – Raul Fernandes, das Relações Exteriores, e Eugenio Gudin, então Ministro da Fazenda. Neste dia, o ator Nelson Dantas que fazia o papel de Lord Edgard ficou doente e foi substituído pelo diretor da peça, Geraldo Queiroz que, diante de tão seleta platéia chegou a se atrapalhar, errando marcações, sem, no entanto, prejudicar o espetáculo que acabou com a platéia aplaudindo de pé.

Barbara Heliodora, a Bruxa Chefe

Ninguém pode imaginar que a mais temida crítica de teatro do país, Barbara Heliodora, tenha tido participação ativa na primeira década do Teatro O Tablado, atuando como árvore, em 1956, na peça O Chapeuzinho Vermelho; como girafa na montagem de 1957 do O Embarque de Noé e como Bruxa-Chefe, em 1958, na peça A Bruxinha Que Era Boa.

Coisas de Maria Clara Machado

Numa tarde de verão, todos atarefadíssimos no Tablado, chegou uma moça dizendo que queria comprar um livro chamado 50 jogos Dramáticos. Maria Clara perguntou se ela tinha certeza de que era aquilo que queria e a moça confirmou. Maria Clara, então, não hesitou. Pegou o livro “100 jogos Dramáticos,” de sua autoria, partiu o mesmo ao meio e entregou a metade do livro à moça que ficou estupefata com tal cena.

O nascimento de O Tablado

Em 1949, antes de ser fundado o Teatro Tablado, um grupo de amigos se reuniu na casa do escritor Aníbal Machado, á rua Visconde de Pirajá 487, Ipanema, tendo como objetivo criar um grupo amador de teatro. Este grupo tinha à frente Maria Clara Machado, filha de Aníbal Machado, além de Claudio Fornari, Geraldo Queiroz, Jorge Leão Teixeira, Stelio Roxo, João Sergio Marinho Nunes e decidiram montar a peça A Farsa do Advogado Pathelin, uma obra prima do teatro medieval francês, que foi adaptada e dirigida pelo frei Sebastião Hasselmann. O recém criado grupo de teatro se intitulou Os Farsantes e fez uma breve temporada no Teatro de Bolso, em Ipanema.

Este grupo pode ser considerado o “embrião” do Tablado que viria a ser criado em 1951.