Em 62 anos de carreira atuou em 461 peças no Brasil e na Europa. Seu maior sucesso foi "Deus lhe Pague", remontado pela filha Bibi em São Paulo, em 1999. A peça foi encenada pela primeira vez em 1932, no Teatro Serrador, no Rio de Janeiro e registrou a incrível marca de 3.621 montagens em 30 anos, no Brasil e também na Europa.
Projeto concebido originalmente para a área de Ideias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, Mitos do Teatro Brasileiro é calcado na memória das artes cênicas nacionais.
domingo, 25 de julho de 2010
Carisma
Procópio ria de sua aparência - era muito baixo, atarracado e narigudo -, largamente superada pela simpatia e pelo carisma. A sua filha com a bailarina espanhola Aída Izquierdo, Bibi Ferreira lembra que um dia flagrou o pai enumerando um amontoado de defeitos ao ver-se no espelho de um camarim. Bibi tentou contradizê-lo, mas ouviu: "Sei exatamente o que sou, mas sei também exatamente o que dou".
Só sucessos
Subiu ao palco em 1917 e, em cinco anos, liderava sua companhia. Era tão popular que chegou a fazer 18 apresentações por semana. Seu primeiro êxito como empresário e ator foi em "A Juriti", de Viriato Correia. Seguido de sucessos como: "Deus lhe Pague", de Joraci Camargo; "O Avarento", de Moliére; "A Capital Federal", de Artur Azevedo; e "Esta Noite Choveu Prata", de Pedro Bloch.
Salve Procópio
O ator Procópio Ferreira descreveu a cena de seu nascimento, imaginando um diálogo familiar: Nasci numa sexta-feira. "Oh! que bonito petiz", exclama o pai aflito e logo vem a parteira: "Ora, deixemos de brincadeira, chamar isso de bonito, assim, com esse nariz?", pergunta. "Há de ser cirurgião e formado em Paris", um outro parente prossegue em sua imaginação. "Isso não, cem vezes não", solta feroz, meu irmão: "De certo mata um doente assim, com esse nariz".
domingo, 27 de junho de 2010
Simplesmente Dercy Gonçalves

Fiel à sua intuição, Dercy Gonçalves sempre respeita as marcações, a luz e os horários dos ensaios:
- Mas na hora de representar sou Dercy Gonçalves.
Quando é apresentada a um diretor, responde invariavelmente:
- É a eles que você vai dirigir, a mim, não, não gosto de ensaio porque acabo dizendo uma coisa e, quando o pano abre, eu digo outra. Posso não ter grande cultura teatral, mas sei o que funciona e o que não funciona em cena.
- Mas na hora de representar sou Dercy Gonçalves.
Quando é apresentada a um diretor, responde invariavelmente:
- É a eles que você vai dirigir, a mim, não, não gosto de ensaio porque acabo dizendo uma coisa e, quando o pano abre, eu digo outra. Posso não ter grande cultura teatral, mas sei o que funciona e o que não funciona em cena.
Uma certa viúva

Um dos maiores sucessos de Dercy foi A grande víúva, de Somerset Maughan, um autor frequentado por grandes damas de teatro como Dulcina de Moraes. A carreira ganha outra dimensão. Tradutor da peça, Miroel Silva diz: "O personagem de Dercy está à léguas do de Somerset, ela dá à protagonista uma tradução que os brasileiros compreendiam e gostavam"
Dercy de pé

A partir do final dos anos 60, Dercy abandona a dramaturgia, para recorrer a um formato mais próximo ao show, em que ela tem papel solo. Inicialmente, alguns autores são chamados a escrever sob encomenda. Depois, a própria atriz assina roteiro e direção. O nome dos espetáculos muda, mas seu conteúdo e sua forma são sempre idênticos: solos de Dercy Gonçalves com sua comicidade bufa em diálogo direto com o espectador, sem personagem, feito de uma seqüência de piadas e tiradas cômicas. O palavrão tem uso recorrente, o que faz o crítico Sábato Magaldi observar que, nos espetáculos da atriz, o palavrão aplaudido tem função de ária de ópera.
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